CRIANÇAS AGRESSIVAS
Um estudo recente mostrou que as crianças com comportamentos mais agressivos e que se mostram normalmente mais irritadas e desatentas tendem a ter menos amigos do que as restantes crianças. Estas diferenças são visíveis ainda na idade pré-escolar, nomeadamente no infantário.
O momento em que uma criança entra para a creche ou infantário é cheio de mudanças e emoções novas. A partir daqui, a criança passa a desenvolver competências sociais, que lhe permitirão interagir com o grupo de pares. Apesar de todos sabermos que o comportamento agressivo é comum em crianças pequenas, é expectável que a socialização com outras crianças potencie o desenvolvimento de competências que permitam que a criança aprenda a controlar o próprio comportamento. Mas a verdade é que existem crianças que mostram comportamentos mais agressivos, ou que o fazem com mais frequência do que as outras. Acabam por agredir os colegas, por reagir através de manifestações de raiva e por manifestar maior dificuldade em concentrar-se nas actividades propostas.
É relativamente fácil identificar o padrão comportamental destas crianças: batem, empurram, resmungam, fazem birras, recusam-se a cooperar e dificilmente controlam as suas reacções. Independentemente de o seu alvo ser outra criança ou um adulto, o resultado é o mesmo: frustração, irritação e punição. Como estas crianças tendem a provocar o medo entre o grupo de pares, são normalmente postas de parte, pelo que lhes é mais difícil criarem amizades, gerando-se ciclos viciosos preocupantes.
Mas isto não significa que não haja nada a fazer. Pelo contrário, existem maneiras de lidar com o comportamento agressivo e desafiador das crianças. Em primeiro lugar, importa fazer a distinção entre mau comportamento e criança má. Mesmo quando a criança é agressiva, ou provoca o adulto, é importante aceitar que estamos perante um mau comportamento, em vez de rotularmos a criança. De resto, importa lembrar que os colegas serão os primeiros a fazê-lo – se a criança mostra sistematicamente maus comportamentos, acaba por ser rotulada. Mas a verdade é que estes maus comportamentos não são mais do que formas disfuncionais que a criança encontra para mostrar que está assustada, que se sente frustrada, chateada ou magoada. Acontece que, por algum motivo, não é capaz de mostrar estas emoções de modo ajustado.
Depois, importa reconhecer que, mesmo as crianças mais agressivas, não são sempre assim. Existem momentos em que o seu comportamento é adequado e compete aos adultos que a rodeiam reconhecer e elogiar esse esforço – seja quando a criança é capaz de trabalhar sossegada, seja quando coopera com os colegas. O elogio sincero é uma ferramenta eficaz na promoção dos bons comportamentos.
Outra “arma” importante para lidar com estas crianças é a capacidade para manter a calma. Trata-se de uma tarefa difícil, às vezes hercúlea, mas frutífera. A ideia de vermos uma criança a desafiar as regras, desobedecendo a tudo o que lhe é proposto fará, quase de certeza, com que a tensão arterial do adulto responsável suba vertiginosamente. Mas é importante reconhecermos que estamos perante uma criança que não é capaz de controlar as suas próprias emoções, pelo que, se o adulto perder as estribeiras, acabará por reforçar positivamente a agressividade da criança. Às vezes, o melhor é “sair de cena” e tentarmos acalmar-nos antes de reagir, mesmo que tenhamos que dizer à criança “O teu comportamento está a enervar-me tanto que eu preciso de me acalmar primeiro”. Mas depois é preciso voltar e actuar com a firmeza que a situação exige. Isto mostrará à criança que os adultos, tal como ela, também sentem raiva e ficam chateados, mas que isso não lhes dá legitimidade para agarrar no cinto e desatar à tareia.
Sendo a raiva a emoção mais fácil de sentir, muitas crianças acabam por usar o comportamento agressivo ou desafiador para mascarar outros sentimentos, como a tristeza profunda. É importante ajudá-las a usar as palavras para expressar a sua dor e/ou para falar sobre as situações adversas.
©
Cláudia Morais
Etiquetas:
Educação dos Filhos,
Inteligência Emocional
TERAPIA CONJUGAL PARA HOMOSSEXUAIS
Uma parte significativa do meu trabalho é dedicada à terapia de casal e aí a esmagadora maioria dos pedidos de ajuda é feita por casais heterossexuais com filhos. Pontualmente surgem pedidos de ajuda de casais homossexuais. No primeiro telefonema ou e-mail surge quase sempre a dúvida: “Atende casais homossexuais?”. À primeira vista, poder-se-ia pensar que esta dúvida antecipa a possibilidade de do outro lado estar um terapeuta preconceituoso. Afinal, o preconceito ainda existe e não adianta negá-lo. Mas a verdade é que a pergunta é pertinente também porque nem todos os terapeutas familiares estão aptos a trabalhar com casais homossexuais – e isso nada tem a ver com preconceito. Tem, isso si, a ver com a sensibilidade e formação profissional de cada terapeuta, cujos recursos podem não abranger esta fatia da população. Nesta matéria, como noutras, é importante que o profissional possa assumir humildemente os seus próprios limites, sob pena de a boa vontade não ser suficiente para ajudar quem precisa.
Mas o que procuram os casais homossexuais quando recorrem à terapia conjugal? Resumidamente, o mesmo que os casais heterossexuais: ultrapassar os conflitos e outros problemas de comunicação que os impedem de se sentirem satisfeitos na sua relação. Fazem-no porque não querem perder aquela pessoa, porque sentem que a relação está em perigo. E, tal como acontece com as famílias tradicionais, há casos em que o pedido de ajuda é feito quando a relação está à beira da ruptura. E aí o recurso à terapia de casal é a derradeira tentativa para salvar a relação.
Então, que diferenças existem nestes processos terapêuticos? E haverá diferenças entre a terapia conjugal com um casal de homens e com um casal de lésbicas? Sim, há diferenças. Para começar, existem diferenças significativas na forma como homens e mulheres são educados e isso tem repercussões na forma como nos relacionamos enquanto adultos – sejamos nós heterossexuais ou homossexuais. As meninas são genericamente educadas no sentido de darem importância às emoções e aprendem quase sempre a geri-las mais cedo do que os rapazes. Pelo contrário, a educação dos meninos continua a focalizar-se no encorajamento da autonomia, não da intimidade emocional. Daí que, de um modo geral, as mulheres (lésbicas) se sintam mais confortáveis em iniciar e manter relações amorosas do que os homens (gays). Mas se as queixas dos casais masculinos estão muitas vezes relacionadas com lacunas na comunicação e com a negligência em relação aos afectos (por oposição à realização pessoal), no caso das lésbicas existe o risco inverso. O emaranhamento destas relações leva-as muitas vezes a perder a própria identidade, a negligenciar os objectivos e as realizações pessoais. Claro que estas são generalizações – existem muitos homossexuais (homens) perfeitamente competentes no que diz respeito à comunicação conjugal, por exemplo.
Tal como acontece com os casais heterossexuais, os problemas apresentados por estes casais estão muitas vezes relacionados com o sexo e com a gestão financeira. Mas existem questões específicas associadas aos casais homossexuais e que os podem conduzir a este tipo de ajuda: problemas relacionados com a homofobia, adopção e inseminação artificial, incapacidade de um dos membros do casal para assumir “publicamente” a sua orientação sexual, dificuldades de relacionamento (aceitação) com a família alargada ou indefinição na forma como cada um dos membros do casal vê a sua sexualidade.
Entre os casais masculinos é fundamental conhecer as regras associadas à sua sexualidade. Alguns destes casais são assumidamente monogâmicos; outros mantêm uma relação aberta, não marcada pela exclusividade logo desde o início; outros oscilam entre diferentes formas de viver a sua sexualidade. Por exemplo, alguns casais começam por manter uma relação monogâmica e, a partir de determinada altura, passam para uma relação de não exclusividade sexual.
A verdade é que, tal como acontece com as famílias tradicionais, quando um casal homossexual percebe que o seu dia-a-dia é marcado por discussões recorrentes sobre o mesmo problema sem que haja uma solução à vista, ou que os desentendimentos já se estenderam aos detalhes menos importantes, minando toda a comunicação, está na altura de considerar a ajuda da terapia conjugal.
©
Cláudia Morais
Etiquetas:
Conjugalidade,
Psicoterapia
DESEMPREGO E DEPRESSÃO
Nos últimos anos têm proliferado notícias sobre taxas de desemprego, despedimentos colectivos e crise financeira. Infelizmente, as parangonas dos jornais e as reportagens de televisão sobre estes temas escondem rostos de famílias que lutam arduamente para fazer face a um obstáculo, a um acidente de percurso, cujo impacto ultrapassa, em larga medida, os constrangimentos financeiros. Por exemplo, um estudo recente mostra que as pessoas que ficaram sem emprego há pouco tempo estão quatro vezes mais vulneráveis a sofrer de depressão do que a população em geral.
Ficar sem emprego tem um impacto brutal no bem-estar de qualquer pessoa e isso não tem apenas a ver com o facto de ter de se fazer uma pausa na persecução de alguns sonhos, tão-pouco tem a ver com o facto de a família ser forçada a “apertar o cinto”. A verdade é que a perda do posto de trabalho implica quase sempre uma quebra de confiança nas próprias capacidades, bem como a diminuição dos contactos sociais. O isolamento e a falta de rotinas associadas ao desempenho de uma profissão são angustiantes e, para algumas pessoas, fonte de devastação, apatia e depressão.
Paralelamente, a crise financeira instalada tem sido uma fonte de ansiedade para muitos trabalhadores que, por não se sentirem seguros no seu posto de trabalho, vivem sistematicamente nervosos. Esta ansiedade antecipatória tem uma base muito real – ora porque as chefias transmitem a ideia clara de que “as coisas não estão bem”, ora porque há ameaças de despedimentos. À medida que surgem sinais evidentes de crise – layoffs, despedimento de colegas, atrasos no ordenado – é natural que cresça também o stress e que se torne progressivamente mais difícil manter a harmonia familiar.
Entre o início dos sinais de crise e a situação de desemprego propriamente dita podem decorrer vários meses, marcados pelo desgaste e pela preocupação exacerbada. Esta consumição de energia pode levar ao desespero e à sensação de que o desemprego é um problema inultrapassável. De resto, um dos sinais de depressão é exactamente o pessimismo – “nada na minha vida corre bem, tudo que eu faço está errado, para mim tudo é mais difícil, isto só poderia ter acontecido comigo, ninguém gosta de mim…”.
Como se tudo isto não fosse suficiente, há ainda muitos trabalhadores expostos a situações de assédio moral – em que a entidade empregadora, normalmente porque não quer cumprir as suas obrigações financeiras associadas ao despedimento do trabalhador, o humilha sistematicamente, tentando que saia “pelo próprio pé”, isto é, sem ver os seus direitos garantidos. Infelizmente, a crise financeira tem contribuído para que muitos empresários façam uso desta estratégia, de forma cada vez mais camuflada.
Nestes processos, é usual que a ansiedade do trabalhador esteja elevada durante largos meses (às vezes anos). Resultado: auto-estima fragilizada, tensões familiares e, em muitos casos, depressão. Estes casos são mais frequentes em pessoas entre os 25 e os 50 anos, com filhos a seu cargo e que vivam em zonas urbanas.
©
Cláudia Morais
Etiquetas:
Ansiedade,
Auto-estima,
Depressão
VÍDEO DO PROGRAMA "AS TARDES DA JÚLIA"
Partilho hoje um excerto da minha participação no programa "As Tardes da Júlia" de 9 de Novembro de 2009. O tema foi "Passei por uma guerra".
©
Cláudia Morais
AS TARDES DA JÚLIA
Volto esta Segunda-feira, dia 9 de Novembro, ao programa "As Tardes da Júlia" para falar sobre o tema “Passei por uma guerra”.
©
Cláudia Morais
AUTO-IMAGEM E COMPORTAMENTO SEXUAL
A percepção de uma pessoa acerca da sua própria imagem pode ser muito diferente da realidade. Quantas vezes já nos deparámos com uma colega magra que insiste em afirmar que está gordíssima? Infelizmente, estes pensamentos distorcidos podem fazer parte de um quadro clínico complexo, como acontece na anorexia nervosa. Mas este não é o único risco associado à forma como pensamos quando se trata da nossa imagem.
O facto de alguém se sentir profundamente insatisfeito com o próprio corpo – porque é demasiado magro, demasiado gordo, muito alto, muito baixo, pouco musculado – pode ser determinante em termos da capacidade para construir relações sociais saudáveis. Estas distorções têm um peso ainda mais significativo entre a população adolescente, cuja personalidade está ainda em formação.
Quanto melhor o adolescente se sentir com o seu corpo, maior será a probabilidade de estabelecer relações equilibradas com o grupo de pares. Pelo contrário, quando um adolescente tem uma percepção negativa acerca da sua imagem – mesmo que seja distorcida – os riscos são significativos. Por exemplo, um estudo americano recente mostrou uma correlação entre a imagem das adolescentes e os comportamentos de risco relacionados com a sua sexualidade:
• Dentre as adolescentes brancas, aquelas que se vêem a si mesmas como magras demais, independentemente de o serem ou não, têm uma probabilidade maior de se terem envolvido com 4 ou mais parceiros sexuais.
• As adolescentes brancas com excesso de peso têm uma probabilidade maior de terem relações sexuais sem usar preservativo.
• Dentre as adolescentes negras, aquelas com peso a menos têm uma probabilidade maior de se envolverem sexualmente sem o uso de preservativo.
• Entre as adolescentes negras com excesso de peso há uma probabilidade maior de se terem envolvido com 4 ou mais parceiros sexuais.
Estes resultados são particularmente significativos, na medida em que nos permitem concluir que a percepção que as adolescentes formam acerca da sua imagem corporal é tão importante como o seu peso real.
A verdade é que, quando um jovem aceita o próprio corpo, a sua auto-estima é mais elevada, assim como a probabilidade de desenvolver competências sociais, como a assertividade. Um adolescente assertivo é capaz de dizer não; é capaz de fazer escolhas sem se sentir dominado pela pressão do grupo de pares.
©
Cláudia Morais
Etiquetas:
Auto-estima,
Educação dos Filhos,
Inteligência Emocional,
Mulher
PORQUE É QUE ALGUÉM É INFIEL?
Porque é que alguém é infiel? Esta é, provavelmente, uma das perguntas com que mais frequentemente me confronto a respeito da infidelidade - quer em contexto terapêutico, quer quando sou questionada sobre o tema. De resto, enquanto o cônjuge traído não se sentir livre dos “porquês” que, pelo menos numa fase inicial, povoam o seu pensamento, não há margem para a reconstrução da relação. Paradoxalmente, é muito difícil para o cônjuge que foi infiel responder com clareza e honestidade a esta questão.
É relativamente fácil para um casal que esteja a tentar lidar com uma infidelidade cair em ciclos viciosos marcados por interrogatórios tensos e pouco frutíferos.
Antes de mais, importa esclarecer que a infidelidade pode atingir qualquer casal e que até as pessoas cujos comportamentos são habitualmente norteados por valores morais elevados podem cair em tentação. E porquê? Sobretudo porque desvalorizam, durante muito tempo, as suas próprias emoções. De facto, a ânsia por dias melhores, a vontade de preservar a harmonia, ou a simples crença de que é normal que, ao fim de algum tempo, a chama esmoreça podem fazer com que muitas pessoas se abstenham de ir manifestando a sua insatisfação conjugal.
Mas o facto de não exteriorizarmos as nossas queixas não faz com que elas desapareçam. Pelo contrário, essa falta de clareza promove os erros do nosso cônjuge, valida os comportamentos disfuncionais.
A páginas tantas, é mais fácil reconhecer o interesse por uma terceira pessoa e investir nessa relação do que voltarmo-nos para dentro do casamento.
Estar sob o guarda-chuva da paixão é estar sob uma espécie de céu nublado, que tolda a percepção da realidade. Talvez por isso, para muitos, não é fácil responder aos porquês. E é ainda menos fácil explicar como foi possível trair e continuar a amar o cônjuge.
Como tenho tido oportunidade de referir, a infidelidade é uma escolha. E é um comportamento que não dignifica ninguém. Mas, como terapeuta conjugal, sei que o sofrimento não está apenas do lado de quem é traído. A terapia serve para que os membros do casal possam chegar a um entendimento acerca das perguntas que têm mesmo de ser respondidas antes de se seguir em frente. Mas também serve para que se possa chegar a acordos, contornando determinados impasses. Afinal, à pergunta “Porque é que foste infiel?” pode seguir-se um processo complexo, que inclui o aprofundamento das necessidades de cada um, mais do que respostas simples que caibam em meia dúzia de frases.
©
Cláudia Morais
Etiquetas:
Conjugalidade,
Infidelidade
ANTIDEPRESSIVOS DURANTE A GRAVIDEZ
A gravidez é um estado de graça que se assemelha, quer do ponto de vista da saúde física, quer do ponto de vista da saúde emocional, a uma bolha que protege a mãe e o bebé ao longo de vários meses. De facto, e apesar das mudanças hormonais que ocorrem neste período, a ocorrência de novas perturbações físicas ou mentais é mais reduzida nesta fase da vida da mulher. Ainda assim, existem excepções. Há mulheres que engravidam no meio de uma depressão; e também há mulheres que se deprimem a meio de uma gravidez. Cerca de 10% das grávidas apresenta sintomas de depressão. E, apesar de a gravidez não constituir um factor que potencie os sintomas depressivos, pode desencadear uma série de flutuações emocionais que dificultam a forma como se lida com a doença.
Tal como acontece em relação ao uso de outros medicamentos, há alguma controvérsia em relação ao uso de antidepressivos durante a gravidez. As pesquisas efectuadas nos últimos anos não são unânimes, pelo que importa, sobretudo, que a situação de cada mulher possa ser bem avaliada. A verdade é que o uso de antidepressivos durante a gravidez não é 100% seguro para o bebé, mas a agudização dos sintomas depressivos, sem o recurso à medicação, pode ser perigosa para a mãe e para o bebé. No limite, uma mulher que não trate a depressão poderá não ter a energia necessária para cuidar de si, para investir nos cuidados pré-natais que fomentam a segurança do desenvolvimento do bebé. Pode até refugiar-se no álcool e no tabaco para fugir à angústia e/ou à ansiedade.
Um dos medos mais comummente associados ao uso deste tipo de medicamentos durante a gravidez diz respeito ao risco de malformações. As investigações feitas nesta área têm mostrado que o risco é relativamente baixo. Ainda assim, há antidepressivos mais seguros do que outros.
E existem efeitos secundários. Por exemplo, os bebés cujas mães tomaram medicação antidepressiva no último trimestre da gravidez podem evidenciar, ainda que temporariamente, alguns sintomas de privação, como tremores ou irritabilidade.
Um estudo recente também mostrou que as grávidas que tomam estes medicamentos têm uma probabilidade três vezes superior de ter um parto prematuro (antes das 35 semanas) devido a complicações como pré-eclâmpsia, subdesenvolvimento fetal ou hemorragia aguda.
Mas as mulheres que interrompem o tratamento a meio da gravidez têm uma probabilidade cinco vezes maior de ter uma recaída, colocando também em risco o seu bebé. Além disso, a interrupção abrupta do uso destes medicamentos pode desencadear o aparecimento de vários efeitos secundários, como dores de cabeça, tonturas, náuseas, fadiga, irritabilidade ou insónias.
A decisão não é, portanto, fácil. Compete ao médico que acompanha a grávida a realização de um estudo completo da sua situação e a partilha de informação acerca das alternativas. Nalguns casos, a grávida poderá ser encaminhada para uma consulta de Psicologia e ser acompanhada através de Psicoterapia. Noutros casos, porventura mais severos, esta ajuda terá mesmo de ser complementada com medicação antidepressiva. O importante é que a decisão seja tomada tendo em consideração o bem-estar da mãe e o do bebé.
EDUCAÇÃO DOS FILHOS E FELICIDADE
Apesar do crescimento abrupto das taxas de divórcio, o casamento continua a ser um passo importante na vida da generalidade das pessoas, contribuindo para a satisfação conjugal e para o bem-estar geral. Como já tive oportunidade de referir antes, as pessoas que se sentem felizes com o seu casamento revelam níveis de bem-estar físico e emocional acima das pessoas solteiras, viúvas ou divorciadas. Em compensação, aquelas que se sentem infelizes no casamento são também as que revelam os níveis de bem-estar mais baixos.
Para a maior parte dos casais, o casamento é o primeiro passo / compromisso para a formação da própria família, seguido, mais cedo ou mais tarde, do nascimento dos filhos. E, apesar de existir um adiamento cada vez maior da maternidade / paternidade, até em função da consolidação profissional, académica e financeira, a verdade é que quase todos os casais desejam ter filhos. Mas, como também já tenho tido oportunidade de referir, apesar de o nascimento de uma criança corresponder, quase sempre, ao período mais belo da vida de um casal, esse é também o momento em que as grandes mudanças ocorrem. E nem todos os casamentos sobrevivem ao turbilhão que se segue ao nascimento de um filho. De resto, existem diversas investigações que têm demonstrado que os pais (homens) com filhos pequenos têm uma probabilidade aumentada de sofrer de transtornos depressivos. Outras pesquisas mostram que os primeiros anos de vida das crianças correspondem ao período mais stressante do ciclo de vida de um casal.
Mas, então, ter filhos e educá-los contribui ou não para a felicidade de um casal? A resposta é… SIM. Embora se trate de um desafio com alguns obstáculos, a verdade é que a educação dos filhos torna AS PESSOAS CASADAS mais felizes. E por que é que sublinho “as pessoas casadas”? Porque entre as pessoas solteiras, a educação dos filhos não tem tanto impacto em termos de felicidade.
Alguns estudos mais antigos mostravam que as pessoas com vários filhos não eram necessariamente mais felizes. Pior do que isso: muitas investigações sublinhavam quão dramático era para muitas delas ter de lidar diariamente com a dureza associada à educação das crianças. Mas esta é uma leitura simplista e redutora, como mostra um estudo recente, que correlacionou o papel parental com a satisfação pessoal, tendo em consideração o papel das características individuais dos participantes, nomeadamente o estado civil, o género, a idade, o rendimento financeiro e o nível de educação. Neste caso, chegou-se à conclusão de que as pessoas casadas – independentemente da idade – e as mulheres casadas em particular, são mais felizes quando têm filhos e são tão mais felizes quanto mais filhos tiverem.
Educar uma ou mais crianças implica a subtracção de tempo que seria usado, por exemplo, para conviver com amigos ou para saídas românticas, mas as experiências negativas são mais comummente reportadas por pessoas que estão separadas, vivem em união de facto ou são solteiras.
©
Cláudia Morais
Etiquetas:
Conjugalidade,
Educação dos Filhos
PROBLEMAS GASTROINTESTINAIS ASSOCIADOS AO STRESS NO TRABALHO
São amplamente conhecidas as repercussões físicas dos estados ansiosos. De resto, para muitas pessoas, o nervosismo está directamente associado a sintomas físicos, como dor de cabeça, dor de barriga, taquicardia, tonturas, alterações de apetite e problemas relacionados com o sono. Mas se para um profissional treinado pode ser relativamente fácil despistar a origem destes sintomas, a verdade é que, para o próprio doente a associação nem sempre é evidente. Por exemplo, há pessoas que passam anos a queixar-se de dores musculares, oscilando de terapêutica em terapêutica, sem perceberem que a origem do problema pode estar relacionada com os níveis de stress. O que acontece é que, sem mudanças comportamentais, os sintomas dificilmente desaparecem.
Um dos quadros mais comummente associados aos transtornos de ansiedade diz respeito às alterações gastrointestinais – que podem incluir diarreia, síndrome do cólon irritável, obstipação, dispepsia (dor ou mal-estar no abdómen), azia, etc. Dois estudos recentes vieram reforçar esta associação, demonstrando que as pessoas que estão expostas a níveis elevados de stress (neste caso em contexto profissional) tendem a sofrer destas patologias. Mais: estas perturbações gastrointestinais prolongam-se no tempo, podendo transformar-se em doenças crónicas.
Numa das pesquisas, levada a cabo em contexto militar, os investigadores concluíram que os soldados que tinham estado envolvidos em operações de combate tinham uma probabilidade seis vezes maior de sofrer de diarreia crónica e quatro vezes maior de sofrer de síndrome do cólon irritável.
Noutro estudo, que envolveu trabalhadores envolvidos na limpeza da zona do World Trade Center, foi encontrada uma elevada prevalência da doença de refluxo gastro-esofágico (marcada pela sensação da volta do conteúdo estomacal no sentido da boca, sem enjoo ou vómito, frequentemente associada a azia ou amargor), bem como de alterações à saúde mental, concretamente ansiedade, depressão e perturbação pós stress traumático. Note-se que, neste caso, estamos a falar de pessoas que estiveram envolvidas num processo de limpeza que teve início há 8 anos, e cujas consequências nefastas se prolongam até hoje.
É evidente que o tratamento destas patologias depende do diagnóstico das perturbações do foro emocional.
Subscrever:
Mensagens (Atom)












